23.9.15

O que vai pegar na próxima estação quando pensamos em música eletrônica?

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Hoje cedo o Noisemaker selecionou alguns produtos que serão a cara da primavera, mas no cenário musical, o que vai pegar? Como será a música eletrônica na próxima estação? Para descobrir isso conversei com o DJ Rodrigo Rodríguez, que além de publicitário faz parte da área de criação da Radio Ibiza.


O papo não ficou apenas focado em música, mas também falamos sobre todo o cenário nacional com suas festas e festivais. Não podemos que negar, o próximo semestre será marcado por grandes mudanças, que já estão sendo sentidas praticamente desde o inicio de 2015. Meio a todos os problemas que constantemente vemos nos noticiários, as pessoas para tentar esquecê-los vem procurando cada vez mais se divertirem. 

Acho que nunca tiveram tantas opções de festas para todos os gostos e tribos, do eletrônico ao funk, do indie rock ao sertanejo. Pra sobreviver nesse mercado nos dias de hoje, que muda constantemente e de forma rápida, acho que as festas têm que criar cada vez mais novidades e experiências incríveis para o público, do contrário vai ficar pra trás”. Afirma Rodrigo que ainda entrega “experiência é a palavra da vez”. 

Prova disso foi o sucesso que o Tomorrowland obteve em sua primeira edição no Brasil, mesmo com reajuste no valor dos ingressos a procura ainda foi bem grande para o evento em 2016.

[Lucca Koch]: Já que estamos falando de festivais, como será essa cena nesse final de 2015 e inicio do próximo ano?

[Rodrigo Rodríguez]: Ano que vem o Ultra Music Festival estará por aqui, além do Sónar que mesmo em edição reduzida vai rolar no fim do ano, trazendo The Chemical Brothers e Hot Chip. Mesmo com dois eventos tradicionais não acontecendo esse ano, como o Dream Valley e o Paradise Weekend, teremos a Tribaltech, a 19a edição da Xxxperience e ano que vem o Rio Music Conference. Todos esses eventos são muito importantes pra disseminar a música eletrônica pelo país e essa cultura de festivais está crescendo muito por aqui também

Rodrigo, então com a fortificação dos festivais no Brasil e essa alta do dólar será um momento ótimo para os DJ brasileiros.

Com certeza. Com o dólar quase a R$ 5 fica bem mais difícil contratar atrações internacionais,  não apenas por conta dos cachês, mas também da logística (passagens, estadia, translado, alimentação etc). Acho que esse é um momento para os produtores de festivais repensarem na cena nacional, que está com grandes nomes consolidados e outros surgindo. Ainda acho que eventos como o Tomorrowland e EDC Brasil poderiam ter dado mais destaque aos nossos DJs, escalando mais gente. O livestream do TML por exemplo não exibiu nenhum DJ brasileiro tocando ao vivo e o aftermovie só mostrou um pequeno trecho do Ftampa tocando, com certeza falta um incentivo muito maior”.

E a própria sonoridade dos festivais está mudando muito, tenho notado que festivais tem aproximado do grande publico nomes menos conhecidos e saindo da mesmice. Porém a EDM acaba sendo o grande destaque nesses eventos, algumas pessoas ao logo do ano afirmaram que ela está acabando. Concorda?

 “Acho que a EDM sempre terá vez por bastante tempo ainda. Grandes artistas chegam a dizer que a EDM já era, que as pessoas cansaram daqueles sons explosivos e barulhentos, mas é só entrar no top 100 do Beatport ou ver o Main Stage dos maiores festivais do mundo e quem está tocando. Você imaginaria deep house, nudisco ou indie dance tocando no palco principal do Tomorrowland, do EDC ou do Ultra? Jamais. O que vemos hoje em dia é uma transição dentro da própria EDM e uma mistura de sons e gêneros”.


[Lucca Koch]: Dentro da Radio Ibiza você já produziu inúmeras trilhas para marcas do mercado nacional. Como funciona o processo de criação?

[Rodrigo Rodríguez]: Primeiro é necessário entender quem é essa marca, com quem ela fala, com quem pretende falar no futuro, quem ela quer ser, quem ela não quer ser mais, qual o posicionamento, qual o tema da coleção se o segmento for da moda etc. Tendo todas essas informações em mãos, se traça um perfil musical em cima de tudo isso com os possíveis estilos musicais e artistas que combinam com a marca e daí pode surgir uma trilha para um desfile, um playlist pro ponto de venda ou ações para mobile e redes sociais. Tudo isso acaba fazendo parte de todo um trabalho de marketing e branding para a marca”.

Mas então é diferente de criar um set, quando você toca em uma festa?

Sim, totalmente diferente! Não costumo planejar muito meus sets quando vou tocar. Escuto muitas músicas diariamente e levo grande parte delas pra pista e dependendo de onde estou, vejo o que se encaixa melhor. Ao criar uma trilha, você tem que entender pra quem está produzindo essa trilha”. 

Já que você realiza muita pesquisa, tanto para o trabalho na Radio Ibiza ou como DJ, o que vai pegar no Brasil nessa próxima estação?

Esse ano o trap está chegando mais forte que nunca, além do som do electro presente em muitas músicas e de vermos faixas de hip-hop, drum’n’bass (Sigma, Netsky e Rudimental estão aí pra mostrar que o gênero voltou forte) e outras com BPMs mais baixos entrando no circuito. O sucesso absurdo de “Lean On” do Major Lazer (que já soma mais de 600 milhões de plays no Youtube + Soundcloud) está aí pra provar isso.” 


Falando em tropical house, que possui um som muito próximo do nosso clima e é uma febre na Europa, ainda não pegou realmente entre os brasileiros. 

Realmente ainda não explodiu no Brasil, mas acho que faixas como “Firestone” e “Stole The Show” do Kygo, “Jubel” do Klingande e “Ain’t Nobody” do Felix Jaehn tenham ajudado a espalhar o tropical nas pistas daqui, principalmente em day parties. Kygo teve sua música entrando até na novela A Regra do Jogo, achei bem legal isso pois incentiva a popularização da música eletrônica”.

Kygo vem tendo uma grande repercussão desde 2014. Além dele, dos produtores internacionais quem mais você destacaria? 

Acho que Oliver Heldens, Don Diablo e Robin Schulz estão em ótimos momentos de suas carreiras, gosto de tudo que eles produzem e remixam. Gosto muito das produções do Duke Dumont e das duplas Zeds Dead e The Chainsmokers também, acho que suas últimas faixas vão bombar muito por aqui.”

Realmente Don Diablo é um ótimo nome, tanto que já foi procurado por Madonna para remixar uma de suas faixas. Ele fez um set incrível no Tomorrowland Brasil. E dos brasileiros?

Em primeiro o Vintage Culture, pelo trabalho que tenho visto ele fazendo, além da originalidade e qualidade de suas produções como “Eyes” e “Everyday” que já toquei bastante. Gosto muito das músicas do Volkoder também e o remix dele para “Austin Groove” do Kid Creme é muito bom. Da EDM, cito o Marcelo CIC e o Johnny Glovez, que além de estar com faixas tocando em novelas da Globo, lançou uma música que achei irada, chamada “Vai””.


Só posso agradecer pelo papo e pelas dicas. A cena eletrônica no Brasil ainda tem muito para crescer e acredito mesmo com os diversos problemas, 2016 será um ano interessante para nós. O Noisemaker, que de bobo não tem nada, pediu para o Rodrigo selecionar algumas músicas que ele acredite ser a cara da próxima estação. A playlist está disponível no Spotify, você acessar através do no link {https://play.spotify.com/user/djrrodriguez/playlist/2sCKc9Q4BXLkybzifUxw1m}

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